Os miúdos de hoje, dos seus 16 aos vinte e pouco, têm acesso a mais informação do que nós tínhamos na idade deles. Mas, mais que a informação, têm mais mordomias, mais facilidades, mais razões para as suas acções (que é como quem diz "mais desculpas")... Tomo consciência disso no momento em que descubro que tenho mais um colega que vai ser pai. Mais um colega de 21 anos. No ano passado também um foi pai com 22 anos, mal conhecendo a rapariga. Rapariga essa que já tinha uma criança também de uma relação fugaz. A namorada deste vai fazer 17 anos. E há mais um que vai ser pai, aos 23 anos. Ok, é casado, mas isso não significa nem maturidade nem estabilidade. Todos pais acidentais.
Comecei por pensar que era uma irresponsabilidade, especialmente nos dias que correm, quando o acesso à informação e à contracepção é tão facilitado. Aos 18 anos, corei e gaguejei quando pedi à minha médica de família a receita da pílula. Hoje, vou directa à farmácia e peço logo 2 ou 3 caixas! Julgava eu que uma gravidez acidental era mais fácil de acontecer numa relação estável, quando existe confiança, amor, intimidade, e o casal não está tão preocupado caso a situação ocorra, pois trata-se de uma questão de tempo, e facilita-se mais. Mas estava enganada! Não conheço ninguém da minha idade que tenha engravidado por acidente, quando mais novos, e agora, só nesta empresa, já lá vão 3! Havia mais receio naquela altura, eu sei. Uma rapariga ganhava logo fama, especialmente em meios pequenos. Mas carago, hoje há mais informação, liberdade de escolha...
Como diz a minha colega, para eles, o mal é menor. Se não estiverem interessados em assumir a sua responsabilidade como progenitores, o tribunal estipula um X a pagar por mês e é quanto basta. Ok, tem lógica. E para as miúdas que vão ser mães? Que futuro para elas e para as crianças?